Candy colors: por que os tons suaves voltaram à moda?
O verão confirma um movimento que já vinha se desenhando nas passarelas: a volta da cor ao guarda-roupa cotidiano, agora em uma versão mais suave, elaborada e fácil de combinar.

Essa direção acompanha uma mudança mais ampla percebida nas coleções recentes. Em vez de tendências construídas apenas para a imagem da passarela, a temporada volta seu olhar para peças com personalidade, mas ancoradas na possibilidade de uso real. A própria Vogue definiu o verão 2026 a partir dessa combinação entre expressão individual e wearability: uma moda feita para a vida cotidiana, ainda que com um elemento inesperado.
Depois de temporadas conduzidas por neutros, marrons e tonalidades profundas, os tons pastel voltam a aparecer em rosa-claro, azul suave, amarelo amanteigado e nuances cremosas. Nas coleções de primavera/verão 2026, Chanel, Louis Vuitton e Miu Miu exploraram o rosa pálido, enquanto Prada trabalhou contrastes entre marrom profundo, azul-gelo e neutros utilitários.
Na Valentino, Alessandro Michele reforça essa nova leitura dos tons suaves por meio do color mixing. Em vez de trabalhar os pastéis de forma isolada ou excessivamente romântica, o estilista combina rosa, azul, lilás, verdes delicados e tons mais profundos em composições inesperadas. É uma abordagem em que a suavidade da cor ganha força justamente pelo contraste, transformando os pastéis em um recurso mais sofisticado, expressivo e contemporâneo.

A Bottega Veneta segue por outra direção, mas igualmente relevante: cor, textura e construção aparecem articuladas de maneira precisa, reforçando um movimento mais amplo da temporada em direção a paletas expressivas sem abandonar a ideia de wearability. É justamente aí que as candy colors deixam de ser apenas “tons delicados” e passam a integrar um novo repertório de combinações para o cotidiano.
Fora das passarelas, compradores de moda também apontaram os pastéis como uma das direções comerciais da temporada, especialmente quando associados a alfaiataria e acessórios de uso cotidiano.
Nos sapatos, esse movimento ganha uma aplicação particularmente versátil. O rosa, o azul-claro e o areia podem funcionar quase como novos neutros, principalmente quando aparecem em formas clássicas.
A diferença está na forma como essas cores retornam. As chamadas candy colors deixam de pertencer apenas a um imaginário romântico e passam a ocupar peças de alfaiataria, acessórios e shapes funcionais. Quando aplicadas a um mocassim ou a um mule, não diminuem a versatilidade do modelo: criam uma alternativa mais atual aos tradicionais preto, marrom e nude.
Um mocassim em candy color preserva os códigos tradicionais do modelo, mas suaviza a produção. Um mule em nude rosado ou dourado claro cumpre uma função semelhante: ilumina o look sem determinar uma única ocasião de uso.
A tela deixa de ser apenas um detalhe de verão
Separadamente da tendência cromática, a tela vem ocupando um espaço cada vez mais relevante no design de calçados.
O material ganhou visibilidade primeiro nas sapatilhas de mesh e, aos poucos, avançou para mules, scarpins e outros modelos de salto. Alaïa ajudou a transformar a sapatilha de tela em um objeto de desejo, enquanto marcas como Khaite, The Row e Staud contribuíram para consolidar calçados mais próximos do pé, leves visualmente e menos rígidos do que os modelos tradicionais.
Em 2026, a tendência já aparece em diferentes categorias, de flats a saltos. A tela deixa de ser vista apenas como um recurso casual ou praiano e passa a funcionar como uma superfície de moda: revela parte do pé, cria textura e faz com que bicos, debruns e metais ganhem maior definição.
A força desses modelos está justamente no equilíbrio entre exposição e estrutura. O material translúcido traz leveza, enquanto o couro, o bico definido e o salto preservam a construção do sapato.
Os metalizados se tornam os novos neutros
Prata, dourado e acabamentos cromados também deixam de estar associados exclusivamente à noite.
Nas coleções e no street style recentes, os sapatos metalizados passaram a acompanhar jeans, alfaiataria, vestidos diurnos e produções monocromáticas. Alaïa, Calvin Klein e Jil Sander estão entre as marcas que ajudaram a levar o prata para formas mais cotidianas, como sapatilhas, brogues e saltos de linhas limpas.
A Vogue também destacou versões em cetim metalizado da The Row entre os shapes relevantes para o verão, reforçando uma ideia importante: o brilho pode funcionar como uma superfície neutra, e não apenas como um detalhe de festa.
Isso acontece porque os metalizados refletem as cores ao redor. O prata pode acompanhar preto, branco, cinza, azul, rosa e denim. O dourado conversa naturalmente com creme, areia, marrom, verde e tonalidades quentes.
Como a Paula Torres reinterpretou essas tendências?
Na Coleção de Verão 27 da Paula Torres, Sweet Dreams, essas tendências aparecem em diferentes formas.
Os mocassins em camurça chegam em tons suaves como rosa, cielo e sand, atualizando um shape clássico por meio da cor. Nos mules, a cartela delicada encontra acabamentos luminosos, criando modelos que transitam com facilidade entre produções diurnas e ocasiões mais especiais.
A tela aparece em sapatilhas e scarpins, combinada a bicos estruturados, debruns e detalhes metálicos que dão mais definição ao desenho do sapato. Já os metalizados surgem em dourado, prata e novos tons de brilho mais suave, reforçando a ideia de que esses acabamentos podem funcionar tanto como ponto de destaque quanto como neutros contemporâneos.
a coleção parte de uma lógica de uso: peças que acompanham diferentes momentos da rotina e que podem ser reinterpretadas de acordo com o styling.
Do trabalho ao jantar, de um evento durante o dia a um casamento, Sweet Dreams propõe sapatos que não pertencem a uma única ocasião, e justamente por isso encontram espaço real no guarda-roupa.




