Firenze, fatto a mano
Por Ana Paula Torres

Uma semana em Firenze marcada por encontros especiais, lugares exuberantes e, principalmente, pelo fatto a mano italiano.
O feito à mão está por toda parte na cidade: nas pequenas oficinas, na relação com os materiais, no tempo dedicado a cada etapa e em um conhecimento que atravessa gerações. Para quem trabalha com produto, estar em Firenze é também estar muito perto dessa cultura do fazer.
Encerramos nossa semana com uma visita à Scuola del Cuoio, fundada em 1950 dentro do antigo Mosteiro de Santa Croce. A escola nasceu no período pós-guerra, quando Marcello Gori e Silvano Casini passaram a ensinar o trabalho com couro a jovens órfãos. Mais de sete décadas depois, a tradição da pelletteria fiorentina continua viva nas mãos dos artesãos que trabalham e ensinam no local.

Durante a visita, pude acompanhar de perto parte desse processo. Tudo começa na matéria-prima: na escolha da pele, na leitura de suas características e no entendimento de como cada couro deve ser trabalhado. Depois vêm os moldes, os cortes, a construção e os acabamentos, etapas que exigem precisão, técnica e, principalmente, experiência.
Entre as técnicas preservadas pela Scuola está a doratura, aplicação manual de folha de ouro sobre o couro. Um trabalho minucioso, feito gesto a gesto, em que a mão de quem executa permanece visível no resultado final.
Foi impossível não relacionar essa experiência à Paula Torres.

O couro sempre esteve no centro da nossa história e o olhar para aquilo que acontece antes de um sapato ficar pronto faz parte do nosso DNA. A escolha das matérias-primas, a construção, a modelagem, o trabalho das tramas de couro e o cuidado com os acabamentos são etapas que definem não apenas a qualidade, mas a identidade de cada produto.
Os processos são diferentes, assim como as peças, mas existe algo que aproxima esses dois universos: o valor das mãos por trás de cada criação.

No fatto a mano, matéria e técnica caminham juntas. É preciso conhecer o couro, entender suas particularidades e saber até onde ele pode ser transformado. Existe precisão, mas também sensibilidade. Existe método, mas também um conhecimento que só se constrói com o tempo.
Ver isso acontecendo de perto, em Firenze, foi um lembrete da importância de preservar esse saber e, ao mesmo tempo, continuar encontrando novas formas de traduzi-lo para o presente.

No final da visita, ainda pude levar comigo o livro Scuola del Cuoio, Mani e Cuore, que reúne parte da história da escola, da família Gori e do trabalho desenvolvido dentro de Santa Croce.
Uma lembrança muito especial de Firenze e de uma expressão que diz tanto sobre a cultura italiana, e também sobre aquilo em que acreditamos na Paula Torres: fatto a mano.
Ana Paula Torres




