Romantic Core: a nova leitura do romantismo na collab Anna Carolina Bassi + Paula Torres

A nova collab de Anna Carolina Bassi + Paula Torres nasce envolta por uma feminilidade suave, leve e quase etérea.
Brilho sutil e silhuetas elegantes revelam uma leitura contemporânea do Nostalgic Romance, marcada por uma beleza sensível e uma suavidade que se revela nos detalhes.

Romantic Core

No footwear, a referência é muito claramente os anos 1990. A Vogue mapeou como códigos daquela década a strappy sandal, thong-heeled sandal, minimalist mule e barely-there sandal, relacionando esse vocabulário a nomes como Manolo Blahnik, Prada, Helmut Lang e Jil Sander. Em 2026, essas mesmas construções voltaram às passarelas e ao street style; a revista cita inclusive o flip-flop de kitten heel como um shape recorrente nos anos 1990 em Calvin Klein, Helmut Lang e Michael Kors.

E já existe dado comercial mostrando que isso passou da passarela: em 2026, a John Lewis registrou +300% nas vendas de kitten-heel toe-post shoes versus o ano anterior; no Depop, as buscas cresceram 260% desde abril; na Vinted, 209% ano contra ano; e a Lyst apontou +202% na demanda trimestre contra trimestre.

Ao mesmo tempo, existe outro movimento, mais amplo, de retorno de uma feminilidade delicada. A Vogue Business colocou “Soft Femininity” entre as cinco grandes tendências previstas para Spring/Summer 2026, citando renda, blusas volumosas, babydoll dresses e construções românticas; no mesmo relatório, os dusty pastels aparecem como direção importante de cor. E o rosa confirma isso: em março, a Vogue tratou o blush pink como uma das cores-chave de SS26, presente em Toteme, Bottega Veneta e Chloé, já afastado daquela leitura mais saturada do Barbiecore.

Blush Pink

Depois do rosa intenso e quase pop que marcou o Barbiecore, a direção de 2026 é consideravelmente mais baixa. O blush pink, o dusty pink e os rosas próximos dos tons de pele aparecem como parte de uma paleta sofisticada e fácil de incorporar.

Na Spring/Summer 2026, a Vogue destacou o blush em Toteme, Bottega Veneta e Chloé. Na Toteme e na Bottega, a cor apareceu em camadas e peças de linhas limpas; na Chloé, Chemena Kamali levou o rosa até para um outerwear de inspiração utilitária. A Elle ampliou esse movimento para nomes como Alaïa, Balenciaga, Victoria Beckham e Tory Burch, reforçando o tom como uma das direções cromáticas mais consistentes da temporada.

O rosa continua delicado, mas aparece ao lado do preto, do cinza, do marrom, do branco e de formas mais precisas.

Patent Leather

O brilho também ganha uma função diferente nesta temporada. O Patent Leather deixa de estar restrito à ideia de sapato de festa e passa a aparecer em construções mais limpas, gráficas e até minimalistas.

No report de footwear de Spring/Summer 2026, a Vogue destacou o uso de glossy patent leather em sapatos de Jil Sander, Loewe, Celine e Dior, enquanto a Who What Wear apontou pumps de verniz entre os modelos que definem o ano. Na Jil Sander, Simone Bellotti trabalhou superfícies brilhantes em shapes de desenho preciso; na Saint Laurent, o acabamento aparece em slingbacks de salto fino e pontas extremamente alongadas.

A força do verniz está nessa capacidade de alterar visualmente o produto. A superfície reflete a luz, acentua curvas, evidencia recortes e torna a própria silhueta mais nítida.

Toe Sandals

Se existe um shape capaz de sintetizar o retorno dos anos 1990 no footwear, é a sandália reduzida quase ao mínimo.

A Vogue colocou as thong-heeled sandals entre os sapatos-chave de Spring 2026, com interpretações de Khaite, Alaïa e Gucci, além de versões de Toteme e Bottega Veneta. Fora da passarela, Hailey Bieber e Kendall Jenner também ajudaram a colocar a silhueta novamente em evidência.

Os números acompanham a imagem. Além do crescimento de 300% nas vendas reportado pela John Lewis e dos avanços registrados por Lyst, Depop e Vinted, o próprio Google apontou, em seu relatório de tendências de Spring 2026, que o interesse de busca por “kitten heels” atingiu o maior nível já registrado.

É uma evolução direta das barely-there sandals dos anos 1990: poucas tiras, muito pé à mostra e uma construção visualmente leve. O kitten heel muda a proporção apenas o suficiente para acrescentar feminilidade e elevar o shape sem retirar sua simplicidade.

Ultra-Point Toe

No scarpin, a atualização acontece por outra via: o exagero.

O pointed toe nunca deixou realmente o vocabulário do footwear, mas a proporção vista em 2026 é diferente. A ponta avança além do desenho convencional do pé, tornando-se mais longa, estreita e deliberadamente gráfica.

A Who What Wear identificou pointed, exaggerated e elongated toes nas coleções de KNWLS, Saint Laurent, Balenciaga e Acne Studios para Spring/Summer 2026. A direção continuou nas coleções seguintes, com versões extremas também em Saint Laurent, Calvin Klein e Louis Vuitton para Fall 2026.

A Saint Laurent talvez seja hoje a imagem mais clara dessa proporção. Nos modelos Amalia e Apolline, a ponta se estende visivelmente além de onde os dedos terminam, criando uma silhueta quase impossível de confundir com um pump tradicional. O Amalia já apareceu em nomes como Hailey Bieber, Rosie Huntington-Whiteley e Elsa Hosk.

O interesse pelo pump também aparece nos dados. No Lyst Index Q1 2026, o pump da Chanel chegou à posição de segundo produto mais quente do mundo na plataforma, enquanto, no trimestre anterior, o Vendôme Slingback da Saint Laurent entrou entre os dez produtos mais desejados e registrou +33% nas buscas em dezembro. São sinais de uma volta mais ampla do sapato de salto construído, agora levado pelas passarelas para proporções cada vez mais precisas e extremas.

Nostalgic Romance

O Nostalgic Romance ganha forma no encontro entre as tendências da temporada, o olhar de Anna Carolina Bassi e o universo da Paula Torres.

A feminilidade elegante de Anna Carolina Bassi encontra o repertório da Paula Torres, onde matéria, construção e feito à mão têm um papel central. Dessa aproximação surgem produtos que absorvem os códigos do momento sem apenas reproduzi-los: o blush pink ganha profundidade no verniz, o kitten heel aparece em linhas mínimas e o scarpin leva a ponta a uma proporção mais marcada.

Há um jogo de contrastes que atravessa a coleção. A suavidade das cores encontra superfícies de brilho intenso; referências delicadas convivem com linhas mais afiadas; e a memória dos anos 1990 aparece filtrada por uma construção atual, cuidadosa e precisa.

É nessa combinação que a collab encontra sua própria leitura do romantismo, entre a delicadeza do feminino e a precisão das formas.

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